[Série Twindo Por Aí] Bolívia e Peru – Rota Alternativa para Chegar em Cusco – Parte I – La Paz

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Você acompanhou no post Como Curtir o Salar de Uyuni Sem Perrengue a nossa aventura pelo maior Salar do Mundo adentro. Foram dias de muita alegria, deslumbre e falta de ar. Mas era apenas o início da aventura. Os primeiros dias de muito chão que ainda iriamos percorrer. Após Uyuni e o Salar, nosso pouso seria a capital mais alta e desigual do Mundo. Decidimos passar por La Paz para entender como uma metrópole pode viver nas alturas. E lá seria o ponto de partida, em uma viagem terrestre, até nosso outro grande pouso dessa viagem: a cidade de Cusco, no Peru.

A ideia era economizar tempo e, por isso, tomamos um avião de Uyuni até La Paz. O tempo de voo é quase uma ponte aérea Rio/São Paulo: cerca de 45 minutos. Diferentemente da ida até o salar, nosso avião de volta, também pela Amaszonas, era um novíssimo jato Bombardier CRJ-200. Foi um voo maravilhoso, silencioso e calmo. Ainda bem, porque estávamos exaustas dos dias de aventura no meio do deserto de sal.

A chegada em La Paz não surpreendeu. Era noite de sábado, de um dia sem chuvas. Fazia algo em torno de 12 graus. Nosso hotel, por duas noites na cidade, seria o La Casona, um quatro estrelas localizado bem no centro de La Paz, próximo ao Mercado de Las Brujas e a Plaza Murillo. À primeira vista a cidade não chamou muito a nossa atenção: poucas pessoas na rua, pouquíssimos lugares abertos. Decidimos jantar no hotel (comemos massa muito boa) para logo tomar o banho mais merecido das nossas vidas, afinal havíamos acordado às cinco da manhã daquele mesmo dia no meio do Deserto de Siloli. Estávamos vivendo um autêntico dia interminável.

Acordamos para o reinicio da jornada. A manhã em La Paz era de sol, até certo ponto calor. Tomamos um café da manhã bem gostoso no hotel. Depois era hora de sair e explorar a cidade. A primeira parada seria a Plaza Murillo, marco zero da Bolívia, ou seja, a partir da praça são medidas todas as distâncias do país. Ao redor dela estão localizados o parlamento boliviano, o palácio do governo (também conhecido como Palácio Quemado) e a Catedral Metropolitana de La Paz. No centro da praça há um monumento a Pedro Domingo Murillo, percursor da independência boliviana que dá nome ao local. Além disso, habitam no lugar centenas de pombos (o que nos deixou um pouco decepcionadas, diga-se de passagem, afinal não é fácil competir com essas aves para conseguir tirar boas fotos).

Da Plaza dos Pombos, digo Plaza Murillo, partimos para o Mercado de Las Brujas, fomos andando 3.600 metros de altura entre subidas e descidas, porque afinal de contas já estávamos ambientadíssimas com a altitude. O mercado na verdade são várias ruas que se cruzam, a principal delas se chama Melchor Jimenez. Para quem mora no Rio e em São Paulo se assemelha em algo com o Saara e a Rua 25 de Março. Não pelos eletrônicos, mas muito mais pelos produtos baratos e locais, como casacos de alpaca e baby alapaca, artesanatos variados e os artigos fantásticos e milagreiros como amuletos para buscar fortuna, pequenas rãs para trazer dinheiro, tartarugas para conquistar a longevidade e muitos outros badulaques que prometem coisas mágicas. No vai e vem entre as ruas compramos casacos de alpaca por preços bem legais. Na verdade rolou um arrependimento de não termos comprado mais um. Acreditávamos que iríamos encontrar coisas em conta no Peru e, sem duvida, nada estava mais barato do que La Paz. Entre o sobe e desce das ruas do mercado vimos cholas – mulheres vestidas tipicamente e que representam segundo a constituição do país “povos indígenas originários campesinos”. A Chola é uma figura de resistência cultural, que iriamos acompanhar em toda a extensão da Bolívia e também no Peru. Vimos também alguma arte de rua pintada nos muros. As pequenas ruas do Mercado de Las Brujas foram o ponto alto do centro da cidade.

Findado o tour de compras baratas partimos para um dos momentos mais esperados: iríamos andar de teleférico até a Zona Sul da cidade, porque lá fizemos reserva no Gustu, da chef dinamarquesa Kamilla Seidler, que foi morar na Bolívia com a intenção de capturar a culinária local em pratos bem elaborados, além de criar uma fundação que ensina crianças carentes a arte da alta gastronomia. Um sonho de lugar. Já voltamos a ele. Antes era preciso experimentar o transporte público de uma metrópole da altitude: os teleféricos de La Paz, obra engenhosíssima e que funciona mesmo. Com um trânsito caótico e praticamente sem sinalização, os teleféricos nos ajudam na locomoção entre as zonas da cidade. Fomos do centro para a Zona Sul num piscar de olhos e além de tudo o passeio é incrível. Surreal e impressionante como a configuração das casas muda. Como tudo vai ficando mais limpo, maior e mais arrumado. Em La Paz uma moradora do Rio como eu logo se identifica com a desigualdade latente. Mas, estávamos fazendo turismo e por mais que situações como essa não passem sem doer na alma, era preciso viver a viagem. Após deixarmos a linha verde ficamos perdidas sem saber para que lado ir. Os mapas não adiantaram e para não perder a reserva decidimos pegar um táxi.

Em uns dez minutos chegamos ao destino do nosso almoço. O Gustu na verdade é um restaurante e escola. Lá vemos jovens bolivianos misturados com profissionais fazendo comida muito gostosa. O lugar é uma graça, espaçoso, arejado e com elementos típicos da cultura andina. O restaurante foi eleito o 14º melhor da América Latina pela revista Restaurant. É uma vitória primorosa e merecida para um país que jamais chegou aos noticiários por esse motivo. Ao chegarmos fomos levadas para um local de espera até que arrumassem nossa mesa. Não demorou três minutos até que estivéssemos com nossos cardápios em mãos. Pedimos cenouras assadas com um molho à base de quinoa para entrada. Prato principal diferente: panquecas de milho e peixe surubi, churros de sobremesa. Tomamos uma cerveja artesanal local de trigo chamada Prost. Tudo isso pela bagatela de 170 bolivianos para cada uma. Algo em torno de 80 reais. Uma pechincha de tão barato.

Do Gustu tomamos mais um teleférico, agora na linha amarela, que liga a zona sul a região central. Andamos um pouco até encontrar uma estação da linha vermelha. O nosso destino era a região do entorno da cidade conhecida como El Alto. É uma cidade que você vê toda vez que está em La Paz e olha para o alto. São mais de 1 milhão e 100 mil habitantes. Era domingo, dia da feira popular da cidade. Um capítulo a parte na economia local, essa feira vende de tudo, tudo mesmo. Sapatos, roupas, eletrônicos, comida, material de construção e uma infinidade de objetos de diferentes procedências. É o momento ápice da cidade. Todas as quintas e domingos a feira ocorre, mas é no domingo que vemos a cultura local em seu estado mais puro. De tão perdida que ficamos não compramos nada, mas foi altamente positiva a experiência.

Depois de algumas horas em El Alto voltamos para La Paz. A vista é deslumbrante. Os Andes ao fundo e a montanha mãe do país – Illimani. Chegando à estação central, já em La Paz, tiramos algumas fotos com o nome da cidade e a altitude, cartão postal que não pode faltar. De lá partimos para o hotel. Tomamos um banho, descansamos um pouco e saímos para jantar na nossa última noite na cidade. O restaurante escolhido, bem perto do nosso hotel, foi o Belenesis. Comemos hambúrguer, batata frita e duas cocas. O valor total de 50 reais nos deu a exata noção do quão valorizada é nossa moeda lá na Bolívia. No dia seguinte pela manhã, um ônibus pelo qual pagamos 35 reais cada uma nos levaria para Copacabana, onde conheceríamos a cidade que inspirou nossa praia mais famosa, o sagrado lago Titicaca e a não menos famosa Isla de Sol, onde Netinho se inspirou para escrever sua musica mais famosa Mila (mentira né).IMG_8825
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De La Paz levamos os sabores do Gustu, a magia do mercado de las brujas e a explosão de gente do mercado popular de El Alto. Também a certeza que apesar das diferenças, nas desigualdades e injustiças nos aproximamos muito deles.

Orçamento:

Passagem Uyuni – La Paz – R$ 290,00 Amaszonas

Hotel La Casona Diária por pessoa – R$ 156,00

Jantar La Casona – R$ 42,00 por pessoa

Almoço Gustu – R$ 79,32 por pessoa

Jantar Belenesis – R$ 25 por pessoa

Passagem Teleférico – R$ 1,5 por pessoa cada viagem

Passagem La Paz – Copacabana (ônibus turismo) – R$ 35 reais por pessoa

Valor Total por Pessoa: R$ 789,32

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