[Série Twindo Por Aí] Bolívia – Como Curtir o Salar de Uyuni Sem Perrengue

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  Destino sonhado por muitos e ainda desconhecido por vários o Salar de Uyuni é desses lugares que precisamos ir de qualquer jeito, na marra, na garra, com dinheiro, sem dinheiro, na cara e na coragem. Acontece que muita gente pensa que viajar para um país com pouca infraestrutura, com relatos de muita pobreza e, principalmente, para um lugar inóspito, é tarefa que pode ser executada somente por mochileiros que amam perrengues. Mas a Twindo conseguiu chegar ao Salar e curtir dias maravilhosos sem que fosse necessário um e$$$forço financeiro muito grande.

Assim que, vamos seguir o baile e mostrar para vocês um jeito confortável de passar 4 dias de sonho nesse paraíso inacreditavelmente lindo e fantástico que fica aqui, pertinho, na nossa amada América do Sul.

Dia 1 – Indo para Uyuni de Santa Cruz de La Sierra.

Santa Cruz é a capital financeira da Bolívia e, além disso, está a 416m acima do nível do mar. Com isso, muitas empresas bolivianas tem sua sede nesta cidade. Isso faz de Santa Cruz um lugar com muitas opções de voos. Muitos voos, passagens mais baratas. A nossa dica para chegar rápido e barato é pegar um voo com destino a Santa Cruz. Nossa estadia lá durou três dias, mas isso é tema de outro post. Vamos ao que interessa.

Tomamos um avião de uma companhia aérea local chamada Amaszonas (sim! Amas e zonas juntas num mesmo nome J). Um voo direto, que durou não mais que 50 minutos. Porém, uma das experiências mais “aventurescas” que tivemos. Quem vos fala é a pessoa que mais teme andar de avião no Mundo (por incrível que possa parecer) e a querida empresa boliviana nos presenteou com um turbo hélice da época da 2ª Guerra Mundial. Quando vi o avião pensei “será que verei o Salar algum dia”? Mas, medos à parte, o avião é plenamente compatível com o tipo de voo que fizemos. Sem montanhas, voando relativamente baixo, a ida para Uyuni foi rápida e tranquila. A Amaszonas é uma empresa que esta se expandido rapidamente na América do Sul, possui muitos jatinhos modernos, mas como a rota Santa Cruz – Uyuni não é muito procurada eles escalaram um “velho de guerra” para nos levar. O custo da passagem foi de R$ 333,00 e nos levou às 7:15 da manhã de Santa Cruz para o início da nossa aventura.

A chegada em Uyuni foi tranquila. Aeroporto relativamente vazio (e bem precário). De lá tomamos um taxi por 20 Bolivianos (pouco mais que R$ 9,00) até a agência que foi responsável pelos dias que passamos em Uyuni: a Creative Tours. Chegamos à agência, deixamos nossas malas e fomos conhecer a cidade para tentar ver como nosso corpo reagia às primeiras horas na altitude. Fomos até a parte mais movimentada de Uyuni e já pudemos sentir nossa respiração mais ofegante. Nada demais, nada assustador. Compramos algumas coisas, biscoitos e água. Voltamos para a Creative porque lá íamos tomar um transfer até nosso hotel na primeira noite. Preferimos esperar um dia para começar a excursão Salar adentro, queríamos sentir a altitude com mais calma.

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Por isso, decidimos passar a primeira noite em Uyuni. Escolhemos um Hotel de Sal, dos muitos que a cidade tem. Esse, porém, é um de Luxo, que fica na porta de entrada do Salar. Se chama Luna Salada (nossa reserva custou R$ 571,00 para duas pessoas/ R$ 285,50 por pessoa, com todos os impostos, o quarto foi o luxo com vista para o Salar) e se pudermos recomendar uma estadia em Uyuni recomendaremos sempre por lá! O transfer para o hotel nos custou R$ 40,00 por pessoa – isso porque este hotel fica relativamente afastado da cidade, já quase na entrada do Salar.

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Luna Salada à direita, Salar à esquerda.

A chegada ao Hotel foi rápida. A primeira vista o Salar é realmente deslumbrante e de cair o queixo. Entramos, fizemos check-in, e já fomos para o quarto. Uma suíte fantástica, com uma janela enorme e a imensidão branca diante de nós. Impossível ficar indiferente ao espetáculo da natureza e, também, impossível não nos sentirmos pequenos diante de tudo isso. Passeamos pelo hotel, conhecemos as instalações e nos inteiramos dos horários.

Ficamos sabendo que poderíamos jantar a partir das 19 horas. E que o jantar poderia ser à la carte ou com um valor fixo e a possibilidade de comermos à vontade. Óbvio que a segunda opção foi escolhida. Por R$ 84,00 comemos uma infinidade de especiarias da cozinha boliviana, que, diga-se de passagem, é bem gostosa, ao contrário de alguns relatos que ouvimos por aí. Carne de Lhama, deliciosa, batatas e mais batatas e uma infinidade de formas e jeitos de se comer Quinoa (todos deliciosos). Sobremesas das mais variadas e refrigerantes. Optamos por não beber álcool nesse primeiro dia, e recomendamos que não bebam. A altitude mexe com nosso corpo e a melhor forma de nos adaptarmos rápido é não fazê-lo trabalhar mais do que deveria.

O final de tarde, antes do jantar, foi marcado pelo mais impressionante pôr do sol que já tivemos notícia. Seria o primeiro e naquele momento era o mais lindo que já tínhamos visto. Milhares de fotos depois, depois de alimentar a alma com tanta beleza, era hora de alimentar o corpo! Banho e jantar.

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O restaurante do hotel é de alto nível e a comida idem. Tudo delicioso e estávamos prontas para a primeira noite a quase 4000 m de altura. Confesso que o frio do lado de fora não nos animava a uma visita noturna ao Salar, então fomos correndo para o quarto, quente e confortável, e descansamos o corpo para o início da aventura.

 Dia 2 – Começa a Aventura – Salar e mais Salar!

O amanhecer foi como esperado. A altitude havia dado às caras. Uma sensação estranha de dor de cabeça e indisposição. Porém, um café da manhã com vista fantástica nos esperava. Pegamos nossos analgésicos e rumamos para o restaurante. A dor de cabeça da altitude é assim: da mesma forma que chega vai embora, e quando começamos a comer já estávamos livres de todo mal, amém!

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Pós-café, corremos para um banho (sabe-se lá a hora que tomaríamos outro), check out e sala de espera das excursões. Assim como nós, outros tantos turistas estavam esperando suas agências. Quando nosso guia chegou, finalmente a adrenalina do que estava por vir começou a apitar em nossos corações. Finalmente aquilo tudo que foi planejado e esperado estava em vias de acontecer.

Agora, abro um pequeno parágrafo para falar um pouco da nossa agência, do nosso guia e como a escolha da dupla agência + guia pode fazer a sua viagem ser completamente diferente de outra pessoa que já tenha passado pelo Salar. Ao lermos relatos durante o processo de construção desse roteiro ficamos assustadas com a quantidade de gente que tinha sofrido literalmente horrores para passar férias em um paraíso como este. E paraíso não combina com sofrimento, por favor, né? Pesquisamos muito, muito mesmo. Apesar de não querer sofrer também não queríamos gastar todo nosso orçamento em quatro dias, afinal de contas o Salar era o início. Tínhamos muito mais dias para viver. Assim, chegamos até a Creative Tours. Essa agência faz aquilo que podemos chamar de Turismo de Fomento Local. Usam em seus roteiros hospedagens de empresários locais e montam suas rotas seguindo o que poderíamos chamar de Bolívia de Raiz. Com eles vocês vão passar em lugares que o turismo “comum” não passa. Uma das rotas que a Creative faz se chama “Ruta Tayka”, e ela faz com que a gente se hospede sempre em hotéis ou pousadas mantidas por pessoas da própria comunidade. Porém, essa rede de hotéis tem um padrão alto, são muito bem mantidos e altamente recomendáveis. A Creative é responsável, também, por nossa alimentação. Todas as comidas e bebidas estão inclusas, bem como todos os ingressos para os diversos parques ecológicos que visitamos. As hospedagens oferecidas são privativas, com banheiro e ducha quente (luxo dos luxos no meio do deserto). O que pode mudar é a forma como você viaja no seu carro 4 x4. Podemos ir com mais duas pessoas (eles recomendam no máximo 4 pessoas por carro) ou podemos ir totalmente sozinhos, somente nós e o Guia. Optamos pelo passeio compartilhado (somente o passeio) e fizemos toda a viagem com um casal de espanhóis. Nosso guia, chamado Guido, foi enviado pelos céus. Além de ser um excelente fotografo (empolgadíssimo com as famosas fotos em perspectiva), o Guido é um excelente motorista e cortador de caminhos. Resultado? Éramos sempre os primeiros a chegar a todos os lugares. A Creative é uma empresa muito preocupada em nos oferecer a Bolívia de verdade, porém sem esquecer que somos turistas e estamos de férias. Por isso, nos tratam com todo mimo e ainda reservam surpresas inacreditáveis, como um almoço literalmente no meio do deserto de sal. Todo esse luxo nos custou R$ 1.600,00 reais para cada uma.

Paragrafo escrito, bizu da melhor agência revelado, partimos rumo ao Salar. Nossa primeira parada foi na fábrica de sal que fica no Pueblo de Colchani. A comunidade vive em torno da extração e venda do sal. Tudo feito de forma rudimentar, quase romântica. Com um tempo para comprar os primeiros dos muitos artesanatos (nota para o Guido, fomos os primeiros a chegar) dessa viagem, seguimos para a “entrada” do nosso parque de diversões. Na pré-entrada demos uma parada para que os primeiros dados fossem revelados, extensão, temperatura média, lugares mais conhecidos etc. Primeiras fotos tiradas e fomos em direção ao monumento das bandeiras do Rali Paris Dakar, que em 2014 passou por ali (é geralmente nesse ponto que termina a excursão de quem vem do Atacama no Chile para o Salar na Bolívia).

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O ponto do monumento das bandeiras ainda apresenta um Salar não tão branco. O vento é muito e, por isso, aquele tapete que estamos acostumados a ver nas fotos fica um pouco sujo. A parada é rápida. Ficamos cerca de 30 a 40 minutos por ali. A partir dai atravessamos um trecho grande, Salar adentro. A paisagem que antes era mais escura vai ficando branca, o vento excessivo e o frio vão diminuindo e de repente, não mais que de repente, estamos sós, no meio de um mar de sal, branco e tão branco que não conseguimos sobreviver sem óculos escuros (item indispensável em TODA A VIAGEM). O frio já não existe mais e faz até calor. A gente escuta o coração bater. Nenhuma voz a não ser as daqueles que estão com a gente. Às vezes dá até para escutar a voz de quem não está com a gente também (<3). É incrível. É fantástico. Precisaria que um poeta escrevesse um texto sobre o que vemos. Da vontade de beijar e abraçar a natureza e dizer: obrigada!

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Nesse momento nosso Guia Guido começa a preparar nosso almoço. Sim! No meio do deserto! N.O.M.E.I.O.D.O.D.E.S.E.R.T.O eu sentei e almocei. Com direito a vinho, mesa, cadeiras, talheres, e uma comida que nem precisava, mas estava ótima! Comemos sem pressa, conhecemos melhor os espanhóis, já que durante três dias seríamos nós e eles. Guido bateu mais umas 500 fotos nossas (ele é o Rei das fotos em perspectiva) e partimos para um ponto clássico da viagem: a Ilha Incahuasi.

O Salar era um imenso lago salgado há milhares de anos atrás. É por isso que para onde olhamos vemos ilhas e mais ilhas que simplesmente não entendemos como podem estar lá. A Ilha dos Cactos gigantes é uma delas. Não dá pra entender mesmo como esses cactos sobrevivem em um lugar tão inóspito. Mas é lindo. Na Ilha temos a opção de dar uma grande volta que inclui uma subida bem puxada, um apogeu lá no alto (onde temos uma vista impressionante do Salar) e uma descida com as pernas trêmulas.

Na chegada ao carro temos a ideia do crescimento do turismo na região. São vários 4×4 enfileirados esperando seus turistas. E dai seguimos, numa reta em direção ao povoado que foi nossa casa por uma noite. O Pueblo de Coquesa fica aos pés de um dos vulcões mais imponentes da região: o Thunupa. Quanto mais próximo chegamos, mais imponente ele se mostra. Nossa 4×4 subiu, então, até Chullpar, antigo sepulcro, onde estão múmias intactas. Na saída da caverna, pela metade da altura do vulcão, fomos recebidas pela luz do sol mais incrível que já vimos. Lindo! Um pouco a frente, chegamos em Coquesa, onde os espanhóis dormiram no Tayka de Sal, um dos hotéis da rede e nós em um novo empreendimento que a Creative nos convidou a testar, a Cabaña Coquesa. Uma casa boutique, com duas suítes, cozinha, sala com lareira e uma varanda. Um lugar muito bem conservado, com uma decoração tipicamente boliviana. Lá fomos recebidas pelos donos. Fomos para o quarto, tomamos banho (quente!) e nos arrumamos para mais um pôr do sol de tirar o folego. O vento e o frio não nos deixaram curtir como deveríamos e voltamos para a Cabaña para o jantar. Sopa de Quinoa com Batata Frita (!!!), Macarrão a Bolonhesa e de sobremesa pêssegos com creme. Tudo bem gostoso. O cansaço era grande e acabamos dormindo cedo. O dia seguinte seria longo.

Dia 3 – Lhamas, Salar Sensual, as Primeiras Lagunas e o Deserto de Siloli

Acordamos e demos de cara com uma mesa de café da manhã maravilhosa! Comemos bem e muito e partimos para um dos dias mais longos da viagem. Começamos aprendendo a fazer “pastoreo” de Lhamas. Conhecemos um pouco mais da vida desse animal que é simplesmente 1001 utilidades. Podemos comer a carne, fazer roupas com a lã que produzem, usar para levar coisas, ou simplesmente ter como estimação.

Dali partimos por um longo trecho dentro do 4×4, cruzamos o Salar de Norte a Sul, passando pelo trecho que os bolivianos chamam de Salar Sensual. É uma região pouco visitada pelo turismo, mas muito bonita. São inúmeras ilhas (Islas Campanas, Vulcão Caltama) com formas que lembram corpos humanos, por isso o nome. Chegamos, então, ao Pueblo de Charagua e era hora de nos despedirmos do Salar. A partir desse ponto era “para o alto e avante”, rumo às primeiras lagunas e ao Deserto de Siloli. Antes, porém, já era hora do almoço. A cidade escolhida foi a de San Pedro de Quemes, ou Pueblo Quemado (conta a história que durante a guerra com o Chile, quando a Bolívia perdeu o caminho para o mar, os homens de San Pedro foram lutar enquanto suas mulheres e crianças ficaram na cidade. Os soldados chilenos vieram e queimaram toda a cidade. Por isso o nome). Hoje, San Pedro guarda em ruínas os resquícios daquela época, mas há uma cidade nova que cresceu em volta. Paramos para o almoço no Tayka de Pedra, mais um hotel da rede que dá nome a Rota que fizemos. Chuleta de Lhama com arroz e batata, sopa de Quinoa na sua 15ª variação (gostosa) e gelatina de sobremesa. Comemos bem e muito (de novo) e fomos gastar toda essa energia passeando pelas ruínas da cidade. O lugar tem uma energia estranha, bateu uma nostalgia. Passamos ainda pela linha férrea, ainda ativa, quando iniciamos a subida para o deserto. Tiramos fotos lindas e seguimos viagem rumo às desejadas Lagunas da Bolívia.

Era início da tarde quando chegamos a Laguna Honda (azul). Um paraíso na terra, recheado de flamingos, cercado de montanhas e vulcões. Guido (palmas para ele!) nos entregou a paisagem sem um ser humano além de nós. Depois chegariam outros turistas da Creative, mas tivemos a oportunidade de curtir uns 20 minutos sem ninguém olhando. A vontade é de não ir embora, mesmo muito alto, mesmo com muito frio, mesmo com muito vento. Mas, fomos. E logo estava diante de nós a Laguna Hedionda, ainda mais frio, com mais flamingos (todos juntinhos, morrendo de frio igual a nós) e com mais vento. Caminhamos por toda a extensão da laguna, parando, respirando, tirando fotos e falando a todo o momento “não tô acreditando nessa paisagem” (frase amplamente repetida durante esses dias).

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Laguna Honda – De Cinema!

Chegando ao carro ficamos sabendo que uma menina de outro 4×4 passou mal e precisou de oxigênio. Guido cedeu o nosso cilindro também, já que não faltava muito para a chegada ao hotel e, em nosso grupo, estávamos todos bem. Seguindo viagem vimos do alto a Laguna Ramaditas, pausa para fotos e o vento era tanto que quase levou a gente, mesmo com tudo que comemos. Fiquei quase feliz com isso.

O carro seguiu. Guido ao volante. Música típica boliviana tocando. A subida foi se acentuando e a paisagem mudando como num passe de mágica. Entramos em um dos momentos mais impressionantes da viagem. A passagem rumo ao Deserto de Siloli aconteceu através do Canyon del Inca. Já estávamos na região de Tupiza e Guido entrou com tudo Canyon adentro. Ao final já estávamos andando pela costa do deserto. Embaixo do carro já tínhamos areia, terra e 5000 m de altura. Andamos um pouco mais e vimos o sol bem perto da gente. No meio daquele nada não entendíamos onde iríamos dormir, foi quando conseguimos avistar, lá ao fundo, a nossa casa por aquela noite: o hotel Tayka del Desierto.

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A chegada ao Deserto de Siloli

Construído em uma área em que só ele existe e funcionando com luz solar o hotel tem regras claras de funcionamento que precisam ser respeitadas. Para termos o luxo de um banho quente não podemos usar secador de cabelo ou qualquer outro eletrodoméstico. As tomadas funcionam até às 22 horas para carregamento de câmeras, celulares e laptops. Banho quente até às 20 horas. A luz das lâmpadas funciona a noite toda, bem como a luz que mantém os aquecedores ligados. Regras passadas, saímos em disparada para carregar tudo que era possível e tomar o banho mais merecido e maravilhoso das nossas vidas. Depois que a poeira baixou, literalmente, fomos para o restaurante (com janelas panorâmicas para o deserto) onde nos esperava um jantar digno de nota 10! De entrada a 123ª variação de sopa de Quinoa (deliciosa), para jantar um prato típico da Bolívia e de muitos países andinos: Ají de Gallina com arroz e salada. E de sobremesa frutas com calda de chocolate. Foi tudo muito gostoso, os papos com os espanhóis, que já viveram centenas de aventuras, as histórias do Guido. O sono chegou e fomos para o quarto. A noite no meio do deserto foi silenciosa, fria e um pouco claustrofóbica. 5000 m de altura não é para qualquer um. Acordei algumas vezes com dor de cabeça e um pouco indisposta. Foi a noite mais difícil da viagem. Nada grave, mas não foi dos melhores sonos. Nada pelo hotel e sim pela altitude mesmo.

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A Entrada do Tayka del Desierto – No meio do nada!

Dia 4 – As paisagens mais impressionantes da vida: Deserto de Siloli, Geisers Sol de La Mañana, Lagunas Colorada e Verde.

Amanheceu no deserto. Nunca pensei que fosse amanhecer num lugar assim. Café da manhã ótimo, cheio de pães quentinhos, café gostoso e frutas. A rede Tayka merece todos os elogios. No dia anterior o Guido nos contou que os funcionários moram no hotel por longos períodos. Enquanto se mantem aberto. No inverno é impossível chegar até a região e o hotel fecha durante uns três meses.

Café e analgésicos tomados, partimos rumo a um dos trechos mais fantásticos da viagem. Era dia de percorrer o Deserto de Siloli e encontrar várias surpresas pelo caminho. O nosso carro saiu (em primeiro, santo Guido!) ainda junto com o nascer do Sol. Um bom trecho pelo meio das areias do deserto nos esperava. Nos sentimos todos em plena competição de um desses ralis famosos. A linha de chegada imaginária apontava para um pequeno monumento de pedra, isolado de tudo, com muita areia em volta. A forma era claramente de uma árvore. Havíamos chegado até a Árbol de Piedra, um dos locais mais famosos e presença quase obrigatória em todos os roteiros mais completos da região. O vento forte que corre por ali foi provocando desgaste na pedra até chegar a exata forma de uma árvore. E certamente vai continuar esse trabalho artístico até termos ali outra forma.

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A épica Árbol de Piedra

Muitas fotos depois seguimos para o ponto mais alto da viagem: os Geisers de Sol de Mañana. Lá seriam mais de 5000 metros de altura, a sensação era de estar no topo do Mundo. Caminhamos em volta e por vezes chegamos perto daqueles chafarizes de vapor. Dentro das poças borbulhava um líquido cinza que mais parecia cimento. É meio assustador ver a natureza tão viva e assim nos darmos conta do quão frágil nós somos diante disso.

A sensação da altitude estava presente, a todo o momento, nas pequenas faltas de ar que sentíamos ao caminhar apenas alguns metros. Era hora de descer um pouco (mas só um pouco), até um dos pontos mais famosos do roteiro: A Laguna Colorada. Reduto de Flamingos, placas de gelo, placas de bórax e uma beleza impressionante. Ela é a porta de entrada da Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, uma área protegida, criada em 1973 por um decreto do governo boliviano. Com 7.145 km de extensão e altura que varia entre 4200 e 5400 metros, a reserva é um dos patrimônios naturais da humanidade. A temperatura média é de 3 graus, o vento é uma constante e realmente sentimos isso na pele. Logo na entrada uma dica: podemos carimbar nosso passaporte com um selo da Reserva. Para quem gosta de colecionar carimbos, vale a pena.

A chegada à Laguna é feita por cima, o que torna tudo ainda mais impressionante. A cor da água é formada pelo depósito de sedimentos avermelhados e pela pigmentação de algas. Além disso, placas de sal bórax formam um cenário que parece pintado. Para completar, centenas e centenas das mais diferentes espécies de Flamingos. Isso tudo está a mais ou menos 4300 m de altitude. Para onde a gente olhe a beleza é impressionante e ímpar. É realmente como se entrássemos em quadro e víssemos a pintura sendo feita ali de dentro mesmo, em tempo real. Como Guido foi novamente o primeiro a chegar, conseguimos tirar muitas fotos sozinhas, além sentar e apreciar. Conseguimos ficar íntimas da beleza desse lugar. Espetacular. Um roteiro que não contemple a Laguna Colorada deve ser refeito imediatamente. É simplesmente inconcebível não passar por lá. Saímos com vontade de voltar. E partimos de volta para uma parte do Deserto de Siloli que está dentro da Reserva.

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Não é pintura, é de verdade!

De volta à areia andamos uns 40 minutos entre curvas e subidas até a parte conhecida como Desierto de Dalí. Chamamos assim porque os fortes ventos da região foram moldando formações rochosas até as deixarem com o traço típico de um dos mais famosos pintores de todos os tempos. As montanhas e vulcões andinos em volta, com cores impressionantes, completam o cenário e nos fazem sentir dentro de mais uma pintura. É surreal como uma pintura de Dalí.

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Pintura surrealista

Era hora de rumarmos ao penúltimo ponto da viagem. Todo o suspense do caminho e o silêncio proposital do nosso guia para chegarmos até o verde mais verde das nossas vidas: a Laguna Verde. Antes de surgir imponente aos pés do Vulcão Licancabur, temos que passar por uma subida. Foi nessa hora que Guido começou a falar dados técnicos da laguna sem que a gente conseguisse visualizar onde ela poderia estar. Quando chegamos ao final da subida, num timing perfeito, o Guido exclamou “Acá está la Laguna Verde y el Volcán Licancabur”. É de fazer a perna tremer. Talvez seja a dupla mais perfeita da América do Sul. A Laguna e o Vulcão. Que par! Saltamos do 4×4 ávidas por fotos e por respirar aquele lugar. O vento era intenso e que bom que era, isso porque a laguna só atinge a coloração verde porque o vento mistura os diferentes tipos de minério que a compõem. Sem vento a cor da água fica normal. Sorte a nossa!

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A melhor dupla da viagem: Laguna Verde e Licancabur

Começávamos a entrar pela tarde quando partimos para nosso último pouso. A ideia era comermos aos pés do vulcão, mas o vento não deixou. Fomos, então, almoçar no ultimo lugar da viagem: as Termas de Polques. Duas piscinas que recebem águas vulcânicas quentinhas. A infraestrutura do lugar é bem precária, os vestiários são sujos e banheiros idem e, apesar de termos levado biquínis, resolvemos não mergulhar. Mas o lugar é lindo. A Laguna Branca ao fundo faz a paisagem ficar bem bonita. Como tínhamos refeitórios quentinhos e sem vento, Guido achou melhor almoçarmos por lá. Era nosso último almoço juntos, comemos frango, arroz, salada, maionese, batatas (!!!) e tomamos vinho. Brindamos ao Guido, à Bolívia e a decisão de fazer essa viagem maravilhosa! Nós cinco, a turma que sempre chegava primeiro!

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Termas de Polques

Almoço finalizado, partimos para uma viagem de cerca de cinco horas de volta à Uyuni. No caminho ainda tivemos tempo para ver vários pueblos, conhecer uma das maiores minas da região, passar no Vale de Las Rocas (onde tiramos mais fotos bem legais) e, por fim, o cemitério de trens. Lugar de onde vimos o último por do sol, tão bonito quanto aquele primeiro. Uyuni e o Salar, as Lagunas e o Deserto, a Bolívia e suas lendas…absolutamente tudo vai deixar saudades. Uma viagem linda, sem perrengues, com um Guido para chamar de seu e bons parceiros de 4×4. Inesquecível é a única palavra encontrada para definir!

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Nosso próximo pouso seria a capital mais alta do Mundo: LA PAZ!

Orçamento:

Passagem Rio – Santa Cruz – R$ 700,00 (mas pode ser comprada com milhas – A Gol tem voos para lá).

Passagem Santa Cruz – Uyuni – R$ 330,00 Amaszonas

Passagem Uyuni – La Paz – R$ 290,00 Amaszonas

Transfer Luna Salada – R$ 40,00

Diária Luna Salada – R$ 285,50

Jantar Luna Salada – R$ 84,00

Ruta Tayka com a Creative Tours – R$ 1.600,00

Valor Total: R$ 3.329,50

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